Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

GNOSTIC

«Engineering the Rule»
(Season of Mist, 2009) [7/10]

Incluem três músicos dos lendários Atheist, entre os quais o genial Steve Flynn, e movem-se muito perto do estilo dessa mesma banda, mais até do que seria razoável esperar. Este álbum de estreia é assim uma proposta de death metal numa abordagem muito técnica e plena de mostras de virtuosismo, em que as semelhanças com Atheist se denunciam não só pela assinatura distinta e criativa da bateria de Flynn mas também por via dos apontamentos de guitarra e baixo, e do estilo característico de composição invulgarmente sofisticado. É provável que esta parecença, um tanto exagerada, se possa dever ao facto dos Gnostic terem sido formados no início de 2005, numa altura em que o reagrupamento dos Atheist não era ainda uma realidade. Mas há também alguns aspectos divergentes a salientar, como é o caso da sonoridade mais pujante e as descargas vocais furiosas de expressão hardcore. A composição é, em geral, menos estruturada e mais confusa a ponto de resultar em temas que deixam para trás pouco de memorável. Maioritariamente constituído por temas gravados em demo-tapes há três e quatro anos atrás, «Engineering the Rule» (título que sugere uma reformulação de regras musicais) é um disco abundante em detalhes instrumentais cuja descoberta exige uma audição atenta, algo que fará com certeza as delícias dos incondicionais do metal mais elaborado. Esperemos é que o álbum de regresso dos Atheist, previsto para o final do ano, não transforme rapidamente os Gnostic num projecto redundante.

in CLIP (Diário de Aveiro), 9 Julho 2009

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Edição de Julho 7, 2009

Na 2ª Hora

Entrevista com Ravn, vocalista dos noruegueses 1349, a propósito do novo álbum «Revelations of the Black Flame».

- "Quando formei a banda, em 1997, tive desde logo a ideia de fazer quatro álbuns. O quarto (ou seja «Revelations...») iria estabelecer um novo standard no black metal";
- Penso que a identidade original dos 1349 continua bem presente neste disco, com a diferença que, desta vez, optamos antes por colocar em primeiro plano toda a negritude que esteve sempre subjacente à agressão extrema dos discos anteriores";
- "Este é um disco de transição. Um álbum de passagem para um novo estádio, para além do inferno. É no contexto deste novo "lugar" que iremos desenvolver o próximo disco".
(Ravn)
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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

OBSCURA

«Cosmogenesis»
(Relapse Records, 2009) [8.5/10]

Quem aprecia metal técnico, daquele tipo em que o virtuosismo gritante dos músicos nos deixa de queixo caído, abananados, a perguntarmos como é possível tocar assim, não deve perder este disco por nada. Embora venha rotulado como death metal a música aqui presente afasta-se sobremaneira dos lugares comuns do género, incorporando elementos neoclássicos nas estruturas de base assim como nos magníficos solos que transbordam de influências de ícones da guitarra, como Yngwie Malmsteen entre outros. Frenético e demolidor mas com interregnos amenos a fazer o contraponto, «Cosmogenesis» é um trabalho rico em momentos brilhantes onde a composição, apesar de intrincada, resulta em temas que funcionam como um todo coerente. É impossível não detectar referências sonoras a bandas como Death e Cynic, esta última evidente por causa da voz processada que Steffen Kumerer usa ocasionalmente, em adição a registos vocais mais standard do death e do black metal. Outro nome incontornável é Necrophagist, não só pelo estilo tecnicista análogo (embora os Obscura sejam mais melódicos e prescindam da componente grind destes) mas também pelo facto da formação alemã incluir dois membros - autênticos prodígios nos respectivos instrumentos - do colectivo que gravou «Epitaph». E como se tanto talento não bastasse a banda conta ainda com Jeroen Thesseling, o baixista que integrou os Pestilence da fase «Spheres», cujo fretless realça pinceladas de jazz de fusão, sendo um elemento fundamental na malha sonora registada no disco. Sem dúvida, um grande trabalho a assinalar em 2009.

in CLIP (Diário de Aveiro), 25 Junho 2009

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Edição de Junho 16, 2009

Na 2ª Hora

Entrevista com Steve Flynn, baterista dos norte-americanos GNOSTIC (e Atheist) a propósito do álbum «Engineering the Rule».

- "De facto os Gnostic estão, musicalmente, próximos dos Atheist e isso deve-se, em parte, ao meu contributo pessoal nas duas bandas como executante e como arranjador";
- "Queria que as pessoas avaliassem a nossa música pelo mérito que ela tem, mas reconheço que isso vai ser difícil, particularmente para os fãs de Atheist";
- "Tocar este tipo de música é sempre um desafio; é tão excitante como resolver um puzzle complexo. Nunca é aborrecido. Uma banda envolve sempre coisas chatas e algumas frustrações, portanto é bom que haja algo que se faça com prazer e de forma apaixonada!";
- "Comecei a tocar bateria por causa dos Rush. Fiquei fascinado com o Neil Peart e sempre quis recriar a sua forma de tocar".
(Steve Flynn)
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

BILOCATE

«Sudden Death Syndrome»
(Daxar Music, 2008) [8/10]

São um dos mais recentes fenómenos a emergir do Médio Oriente, mais concretamente da Jordânia, onde a música extrema ainda é vista como uma séria ameaça para os ideais religiosos. O trabalho do colectivo chega até nós através deste brilhante registo que combina doom e death metal de uma maneira que, por vezes, sugere Orphaned Land e Novembers Doom. Nas passagens mais calmas é também reminiscente da marca progressiva dos Opeth, aspecto que surge reforçado inevitavelmente pela co-produção e mistura de Jens Bogren. Os instrumentos tradicionais (e.g. oud e tabla) e os padrões rítmicos típicos das arábias, abraçados por tantas bandas provenientes desta região do globo, são aqui um elemento algo secundário, pelo que a música soa quase sempre muito ocidental. O ambicioso “Blooded forest” destaca-se como o tema mais representativo de todo o álbum. Com riffs excelentes a meio-tempo, segmentos atmosféricos, ora dramáticos ora grandiosos, belos excertos em piano e toda uma série de detalhes atractivos de composição, resultam num épico que consegue a proeza de prender a atenção durante todos os dezassete minutos da sua duração. Fartos das proibições impostas pelo regime teocrata do seu país de origem, as quais não permitiram mais do que uns míseros quatro concertos num espaço de seis anos, os Bilocate mudaram-se recentemente para o emirado do Dubai estando agora mais livres para, finalmente, dar largas a esta forma de expressão que não conhece fronteiras geográficas, culturais ou religiosas.

in CLIP (Diário de Aveiro), 11 Junho 2009

Sábado, 23 de Maio de 2009

Edição de Maio 26, 2009

Na 2ª Hora

Entrevista com Steffen Kummerer, vocalista e guitarrista dos germânicos OBSCURA a propósito do mais recente álbum «Cosmogenesis».

- "Na relação com os outros membros da banda sou um ditador democrático... :-)";
- "Os Death e os Cynic são bandas muito técnicas mas a sua música tem sempre uma estrutura fluída que a torna atractiva e relativamente acessível - foi isso mesmo que tentamos fazer neste álbum";
- "Ser comparado com os Cynic não é assim tão mau... Nós até roubamos 10seg de um solo do "Veil of Maya" (do álbum «Focus»). Se encontrares esse excerto no nosso disco pago-te um gelado... :-)"
(Steffen Kummerer)
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

BLUT AUS NORD

«Memoria Vetusta II: Dialogue with the Stars»
(Candlelight, 2009) [9/10]

Apesar de uma certa atitude ‘low profile’ que passa por não tocar ao vivo, manter o anonimato dos músicos e conceder o mínimo número possível de entrevistas, os Blut Aus Nord são cada vez mais um nome incontornável no que toca à inovação de sonoridades na área do black metal. Neste que é, supostamente, a segunda parte de um trabalho homónimo publicado em 1996 (com o qual tem muito pouco em comum, diga-se), o misterioso colectivo francês volta a orientar a sua visão sónica muito pessoal numa direcção mais agressiva (do que em «Odinist») favorecendo também composições mais longas e dinâmicas. Os nove temas são ricos em extensos segmentos instrumentais onde sobressai o característico timbre pouco distorcido mas sempre desolado das guitarras, que se faz ouvir nas melodias místicas dos leads e nas dissonâncias sombrias das transições. Como sempre o duplo baixo é proeminente e a bateria é simples e algo industrializada, mas é assim que resulta eficaz mesmo nas sequências rítmicas mais elaboradas. O registo abrasivo de Vindsval ecoa sempre abafado e de forma quase indistinguível dos restantes instrumentos, e o trabalho de teclados no background é essencial para amornar a atmosfera gélida e sinistra da música. «Memoria Vetusta II» é uma experiência intensa que remete para lá da esfera da consciência; para uma dimensão onírica, tenebrosa e bizarra, mas simultaneamente de uma beleza transcendente.

in CLIP (Diário de Aveiro), 21 Maio 2009

Domingo, 10 de Maio de 2009

ANOMALLY

«Once in Hell…»
(edição de autor, 2008) [6.5/10]

Oriundos dos Açores os Anomally apresentam um death metal de atmosfera intensamente gótica com teclados bem integrados e uma dose generosa de vozes limpas. O colectivo pode ter apenas três ou quatro anos de existência mas os músicos não são seguramente principiantes - pelo menos é essa a impressão que fica depois de uma audição atenta deste álbum de estreia. Todas as faixas apresentam, de forma consistente, o mínimo em termos de qualidade de composição e diversidade para espicaçarem o interesse, incluindo até pelo meio alguns refrões fortes e apelativos, mas que nunca tornam as canções excessivamente fáceis. Tudo soa no lugar certo, com uma execução particularmente convincente da parte das guitarras e dos teclados e alguns embelezamentos aqui e ali na forma de samples que contextualizam e dão um toque mais dramático a certas passagens. A voz principal, variando entre o gutural profundo e um estilo mais black metal, sobressai sempre como o elemento sonoro mais agressivo. Apesar de ambos estes registos vocais reforçarem positivamente a natureza sombria da música, há alturas, no entanto, em que parecem baralhar-se mutuamente. Embora a banda se movimente por terreno já palmilhado e a modesta produção do disco não faça verdadeira justiça às qualidades intrínsecas da música, «Once in Hell...» deixa a clara sensação de uma feroz declaração de intenções. Os Anomally não vão certamente ficar por aqui.

in CLIP (Diário de Aveiro), 7 Maio 2009

Sábado, 25 de Abril de 2009

Edição de Abril 28, 2009

Especial SWR Barroselas Metalfest

Edição dedicada ao maior festival português de música extrema que vai decorrer nos dias 30 de Abril a 2 de Maio em Barroselas, Viana do Castelo, e que inclui nesta 12ª edição nomes como SODOM, THE HAUNTED, ABSU, AKERCOCKE, ESOTERIC, THE FIRSTBORN e CORPUS CHRISTII, entre muitos outros.
-- Na 2ª hora: Entrevista com Filipe Castro, membro da organização.
http://www.swr-fest.com/

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

ABSU

«Absu»
(Candlelight, 2009) [9.5/10]

Após a perda de dois membros da formação original, incluindo o principal compositor, e de uma crise interna que se viria a saldar em oito anos de paragem sem concertos nem gravações, poucos esperariam que os Absu regressassem com a pujança criativa de antigamente, e muito menos com o melhor álbum de sempre. Partindo da fórmula incendiária de thrash técnico com contornos de black metal que caracterizou «Tara», o novo álbum vê a banda Texana evoluir no sentido de uma composição mais diversificada e dinâmica, com algumas subtilezas psicadélicas, padrões rítmicos invulgares e uma miríade de detalhes atractivos que fazem a diferença no meio da explosão de riffs debitados ferozmente a toda a velocidade. O trabalho percussivo de Proscriptor McGovern é ao mesmo tempo fenomenal e devastador enquanto a sua voz, pontuada em quase-sincronismo com a bateria e sempre perfeitamente engrenada nas estruturas da música, impregna os encantamentos e imprecações que expele em nome de deidades Sumérias, de uma malignidade mais virulenta do que nunca. Gravado com a participação de uma série de ilustres convidados entre os quais se contam Rune Eriksen dos Ava Inferi e Bruno Fernandes dos The Firstborn, e munido de uma fantástica capa uma vez mais da autoria de Kris Verwimp, «Absu» é, sobre todos os pontos de vista, a maior realização até hoje do colectivo norte-americano e um dos primeiros sérios candidatos a álbum do ano.

in CLIP (Diário de Aveiro), 23 Abril 2009

ABSU - O regresso do clã de Cythraul

Magia incendiária em Barroselas no dia 1 de Maio

Depois de uma longa paragem de oito anos os mestres do Black Metal mitológico estão finalmente de regresso. Revitalizados por uma nova formação e com o melhor álbum de sempre – o homónimo «Absu» – ainda a fervilhar de reacções entusiásticas, a banda norte-americana promete protagonizar o momento de maior interesse do 2º dia do SWR Barroselas Metalfest. O líder Proscriptor McGovern falou ao CLIP/DIÁRIO DE AVEIRO sobre o novo disco e a nova encarnação dos Absu.

Após o abandono de dois membros da formação original poucos esperariam que os Absu regressassem com um álbum desta qualidade. Como é que isso foi possível?
Sim, compreendo. Foi exactamente para não comprometermos padrões de qualidade que resolvemos parar durante todos estes anos. Não foi fácil encontrar substitutos à altura de músicos notáveis como Shaftiel e Equitant que fizeram a história dos Absu. No início estava um pouco céptico em relação à forma como os media e o público iriam receber o novo álbum, primeiro por causa do novo line-up, e segundo porque está longe de ser uma réplica do «Tara». No entanto parece que as reacções excederam as minhas melhores expectativas.

O novo álbum parece ser mais variado e, ao mesmo tempo, mais complexo do que o «Tara». O que achas?
De facto é. O «Tara» é provavelmente o nosso álbum mais neurótico e agressivo de sempre. O «Absu» reflecte uma evolução substancial no domínio da composição e é por isso mais controlado e coeso. Considero estes dois últimos álbuns, a par do nosso disco de estreia, «Barathrum V.I.T.R.I.O.L.», como os meus discos favoritos dos Absu.

Depois deste longo período de ausência, sentes-te novamente motivado para continuar a gravar e a tocar ao vivo com a mesma regularidade que antes?
Sem dúvida. Já estou nos Absu há quase vinte anos e penso que estamos agora a iniciar uma nova fase; uma nova era de Metal Oculto e Mitológico que é para nós profundamente estimulante. Temos uma agenda de concertos já bastante preenchida para 2009 e início de 2010, portanto contem com mais actividade do que nunca da parte dos Absu. Para além disso assinamos um bom contrato com a Candlelight Records e estamos já a trabalhar em material para um novo álbum. Preparem-se para algo devastadoramente fresco!

O que nos podes adiantar sobre o vosso concerto no Barroselas Metalfest?
Será uma oportunidade para apresentarmos esta nova formação da banda e, claro, tocarmos uma mão cheia de temas do novo álbum. Especialmente para os fãs mais antigos preparamos um set que inclui também muitos temas dos discos mais antigos, cerca de duas a três canções de cada álbum. O nosso reportório é bastante vasto em termos de dinâmica e intensidade, pelo que temos tudo para brindar os presentes com um bom espectáculo.

in CLIP (Diário de Aveiro), 23 Abril 2009



Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

MY DYING BRIDE

«The Lies I Sire»
(Peaceville, 2009) [8/10]

Conhecidos por transformar como ninguém os recantos mais sombrios das emoções humanas em peças únicas de música e poesia com tanto de sublime como de avassalador, os My Dying Bride estão de regresso com o disco que melhor resume, em termos estilísticos, tudo o que o colectivo britânico produziu nos últimos dez anos de actividade - desde o gothic/doom (aqui um pouco mais radio friendly) até às ocasionais tiradas death/black. Contudo o aspecto que mais sobressai é sem dúvida a reintegração do violino, cuja sonoridade confere a este décimo álbum um carácter que é por um lado vintage e por outro moderno em virtude do estilo de Katie Stone, a recém-chegada violinista, ser bem diferente do de Martin Powell. A utilização de voz de apoio em alguns temas e o facto de Aaron Stainthorpe se aventurar pontualmente em interpretações invulgares (e.g. em tons mais altos) são outros dos aspectos inéditos e atractivos deste novo disco. Todavia nem todas as ideias apresentadas resultam no melhor dos efeitos, havendo momentos menos inspirados com riffs e transições que soam algo dissonantes no contexto do que conhecemos do grupo, e que reduzem o impacto final de algumas faixas. No seu todo «The Lies I Sire» não é propriamente impressionante, particularmente se observado à luz de todo o trabalho anterior da banda. Ainda assim contém o suficiente para constituir uma adição imprescindível na colecção dos fãs, os quais terão novamente a oportunidade de se deixar envolver nesta expressão mais negra de desolação e melancolia que, paradoxalmente, lhes traz tanta felicidade.

in CLIP (Diário de Aveiro), 16 Abril 2009

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

SHINING

«IV – The Eerie Cold»
(Avantgarde, 2005/Peaceville, 2008) [8.5/10]


Publicado originalmente em 2005 foi considerado por momentos como o álbum derradeiro dos Shining, no entanto acabou por se tornar o prelúdio do genial «V-Halmstad» que surgiria dois anos depois. Registando uma evolução notória sobre toda a produção anterior da formação sueca, «IV-The Eerie Cold» é uma experiência atormentada sobre depressão e demência, sendo talvez o primeiro disco a capturar verdadeiramente todo o conceito de autodestruição idealizado pela mente perturbada de Niklas Kvarforth. Inexoravelmente opressiva, a música retém todas as características da sonoridade Black Metal embora raramente siga em andamento rápido. De facto até inclui uma mão cheia de segmentos lentos, semi-acústicos, um trabalho de guitarra solo que é invulgar nestas lides, bem como algumas das passagens de piano que se tornaram tão mais prevalentes no disco seguinte. No entanto o que sobressai é uma atmosfera permanente de angústia e desassossego, intensificada de forma decisiva pela prestação vocal torturada de Kvarforth que por vezes parece até ultrapassar os seus próprios limites físicos na expressão de emoções de pesar, desespero e dor. Se conhecem os Shining apenas através do mais divulgado «V-Halmstad» então recomenda-se que concedam uma oportunidade a esta reedição (que apenas adiciona à original uma introdução irrelevante) enquanto esperam pelo já anunciado «VI-Klagopsalmer».
in CLIP (Diário de Aveiro), 9 Abril 2009

Sábado, 28 de Março de 2009

Edição de Mar 31, 2009

Na 2ª Hora

Entrevista com Andrew Craighan, guitarrista dos britânicos MY DYING BRIDE a propósito do mais recente álbum «The Lies I Sire».

- "Nunca pensamos seriamente em voltar a introduzir o violino até ao dia em que surgiu a oportunidade de ter uma violinista na banda. Mesmo assim foi uma decisão muito ponderada";
- "Se estiveres interessado em dar a conhecer a alguém os My Dying Bride numa perspectiva global de passado e presente, este é o disco que deves indicar primeiro";
- "O tema central deste album é a religião em geral. Usamos o cristianismo em particular como a face de todas as religiões porque aqui, no Reino Unido, é censurável e até perigoso criticar muitos dos outros credos."
(Andrew Craighan)

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Sábado, 21 de Março de 2009

Edição de Março 24, 2009

Na 2ª hora:
- CLASSICS IV -

Clássicos de sempre dos King Crimson, Iron Maiden, Slayer, Autopsy, Moonspell e Anathema entre outras, escolhidos e apresentados pelos nossos entrevistados:
Mathias “Warlord” (TURISAS), Greg Chandler (ESOTERIC), Andreas Jacobsson (DRACONIAN), ATF Sinner (HATE), Flemming Lund (THE ARCANE ORDER) e Sadlave (OBTEST) entre outros.

Quinta-feira, 12 de Março de 2009

AMON AMARTH

«Twilight of the Thunder God»
(Metal Blade, 2008) [7/10]

Este é um disco com potencial para gerar reacções muito diversas, talvez mesmo contraditórias. Por um lado os riffs atraentes, aparentemente inesgotáveis nesta formação sueca, as linhas melódicas magníficas e os temas líricos que projectam representações vívidas de vikings sanguinários e divindades vingativas do panteão nórdico - uma imagem de marca já celebre neste colectivo - fazem deste um trabalho não só irresistível para os incondicionais da banda, como algo de muito apelativo para os fãs de death metal melódico em geral. Contudo, apesar de perfeito em praticamente todos os aspectos e de incluir pela primeira vez em mais de uma década a participação de alguns músicos convidados, este é um álbum que não acrescenta nada ao que os Amon Amarth já fizeram. A sensação que fica é mesmo a de mais um conjunto de dez novos temas que bem podiam ser a continuação do disco anterior. Para os adeptos mais conservadores esta é, claro, uma qualidade desejada que descrevem como ‘consistência’. Para os outros poderá soar a repetição ou a estagnação. É provável que a banda esteja simplesmente a jogar pelo seguro. O apego a uma fórmula que originou resultados comerciais muito positivos (sucedeu com «With Oden on Our Side») num grupo que recentemente se profissionalizou, passando a constituir actividade exclusiva e por conseguinte única fonte de rendimentos dos seus membros, equaciona necessariamente a integridade artística do quinteto. Mas em lugar de tirar conclusões precipitadas o melhor mesmo é esperar pelo próximo trabalho.

in CLIP (Diário de Aveiro), 12 Março 2009